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O mundo despede-se de Nelson Mandela

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“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.” – Nelson Mandela.

A dimensão política e de homem público conquistada pelo sul-africano Nelson Mandela, em âmbito mundial, pode ser medida pela avaliação que dele fez o líbio Ali Abdussalam Treki, presidente da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) entre 2009 e 2011, quando o considerou “um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo”. Com sua morte, neste dia 5, aos 95 anos, vítima de infecção pulmonar, ele entra para a História como advogado, líder rebelde, prisioneiro de consciência durante 27 anos, símbolo da luta contra o “apartheid” em seu país – regime segregacionista comandado pela minoria branca contra a maioria negra – e primeiro negro eleito presidente da África do Sul livre, cargo que exerceu entre 1994 e 1999.

A morte de Mandela foi anunciada pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma, em pronunciamento pela televisão. Nelson Mandela tinha 95 anos, sofria de uma grave infecção respiratória e estava sendo mantido em sua casa em Johannesburgo sob cuidados médicos. Ele esteve hospitalizado de 8 de junho a 1º de setembro com um quadro de infecção pulmonar e outras complicações. No fim de semana, Zindzi, sua filha mais nova, disse ao New York Times que sabe que ele está morrendo.

Trajetória
Ao sair da prisão, em fevereiro de 1990, aos 72 anos de idade, liderou o fim do segregacionismo sul africano, que se completou quando esteve na presidência do país. Diante disso e de sua luta a serviço da humanidade, a ONU reconheceu seu desempenho como exemplar em favor da liberdade, democracia e justiça. Tanto que, para elevar ao mais alto grau social esses três valores em todo o mundo, a instituição criou o Dia Internacional Nelson Mandela, comemorado em 18 de julho, dia de seu nascimento, em 1918.

Rolihlahla Dalibhunga Mandela, seu nome de batismo, nasceu em um vilarejo na região do Transkei e era de família da nobreza tribal da etnia Xhosa. Com pais analfabetos e 12 irmãos, foi o primeiro da família a frequentar a escola, a partir dos sete anos de idade. Nesta unidade escolar, recebeu o nome do Nelson. Aos nove anos, com a morte do pai, seguiu para a vila de Mqhekezweni, aos cuidados de Jongintaba Dalindyebo, regente da etnia Tembu, e no local continuou os estudos.

Em 1934, mudou-se para Fort Beaufort, onde entrou no curso de Direito na Universidade de Fort Hare. Iniciou a atuação política no movimento estudantil e, por isso, foi expulso da universidade. Em seguida, mudou-se para Johanesburgo, onde concluiu o curso de Direito na Universidade da África do Sul por correspondência. Em seguida, aprofundou os estudos de Direito na Universidade de Witwatersrand, tornando-se advogado. Jovem, Mandela gostava de esporte – praticava corrida e boxe –, usava roupas bonitas e tinha fama de sedutor.

Desde o começo do século 20, a África do Sul era dominada pelos brancos – colonizadores holandeses, franceses e alemães, ou bôeres, e pelos ingleses. Os negros eram discriminados e sem direitos, o que veio a se fortalecer em 1948, com a chegada do Partido Nacional ao poder. Nesse ano, foi institucionalizada a segregação e a dominação plena dos não europeus por meio do sistema chamado de “apartheid”- os negros ficaram sem direitos políticos, sociais e econômicos.

Advogado, Mandela intensificou a ação política contra o “apartheid” como militante do Congresso Nacional Africano (CNA), movimento não violento formado por nacionalistas negros. Em 1960, ele e seu grupo no CNA decidiram recorrer às armas para lutar contra o segregacionismo na África do Sul. O grupo atacou alvos militares, incentivou greves e seu líder principal seguiu para o Marrocos e Etiópia, onde fez treinamentos paramilitares.

Embora tenha aderido às armas contra a segregação racial, Mandela, ou Madiba, o nome de seu clã e como muitos sul-africanos a ele se referiam carinhosamente, jamais defendeu ideias políticas revolucionárias, ao estilo do líder russo Vladimir Lênin, ou religiosas, como o indiano Ghandhi. No essencial, ele encarnava valores universais, ou um humanismo africano presente na cultura de seu povo, o xhosa. De volta à África do Sul depois dos treinamentos paramilitares, Mandela foi preso em 1963, aos 45 anos de idade. Em 1964, recebeu a pena de prisão perpétua. Permaneceu no cárcere por 27 anos, até 1990.

c0a6764a-9762-453e-9a61-208ab79dba7e_ft_madela3No ano da prisão de Mandela, a África do Sul tinha 17 milhões de habitantes, dos quais apenas 20% eram brancos. O país tinha a economia baseada na mineração, agricultura e em menor proporção na indústria. Nos anos 80 do século passado, a clamor pelo fim do “apartheid” na África do Sul ganhou ressonância mundial. As campanhas contra esse segregacionismo tinham como lema o “Libertem Nelson Mandela”, fortalecendo o nome dele como símbolo do “antiapartheid”.

Mandela teve três esposas. Da primeira, Evelyn Ntoko Mase, se divorciou em 1957, depois de 13 anos de relacionamento e quatro filhos. A união com a segunda, Winie Madikizela, durou 38 anos, terminando em 1996. Aos 80, casou-se com a moçambicana Graça Machel.

Ao sair da prisão e já conhecido em todo o mundo, Mandela contribuiu para o fim do “apartheid” sul-africano em ações com o então presidente do país, Frederik Willem de Klerk. Por esse desempenho, ambos dividiram o Prêmio Nobel da Paz, em 1993. No ano seguinte, Mandela foi eleito presidente do país.
Na presidência, além de suprimir por completo o que restava do “apartheid”, Mandela contribuiu para a evolução econômica sul-africana, com destaque para a mineração do ouro e diamantes, agricultura – grande parte dela de subsistência – e atividades industriais, financeiras e de turismo modernas. A África do Sul é hoje a principal economia dos países africanos e já integra o Brics – composto pelo Brasil, Rússia, Índia e China.

Mesmo assim, Mandela não conseguiu melhorar a distribuição de renda interna, situação que se mantém até os dias atuais, e em que metade da população, estimada em quase 50 milhões de habitantes, se encontra na miséria e pobreza.

A veneração a Mandela em razão da sua atuação política levou a uma espécie de culto em torno de seu nome. Ele nunca quis ser cultuado, tanto que, certa vez, disse: “um dos problemas que me preocupavam na prisão era a falsa imagem que tinha e não queria projetá-la ao mundo. Consideravam-me um santo e nunca fui um”.

Depois da presidência, Mandela se dedicou a causas sociais e humanitárias. Engajou-se com fervor na luta contra a Aids, a partir de 2003, e permaneceu nela atuando mesmo ao se retirar da vida pública, em 2004. Objeto de muitas homenagens, filmes, livros e prêmios, Mandela, com sua morte, entra para a História como o principal líder do continente africano, reconhecido em todo o mundo pelo desempenho em favor da liberdade, da justiça e dos direitos humanos.

Por Guilherme Calderazzo


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