Cleiton Fiuza

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Coisas de criança

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O menino brincava tranquilamente embaixo da mesa de jantar, quando ouviu sua mãe chamando:
_ Jorginho, meu filho, corre aqui depressa.
“Puxa, logo agora que o cowboy iria matar o indiozinho”… levantou-se preguiçoso e seguiu em direção a mãe, que costurava apressada os últimos vestidos para atender a uma encomenda atrasada.
_ Preciso que você vá até a lojinha da Dona Marta e me compre um tubo de linha branca.
_ Posso ir mais tarde? É que eu tô brincando alí.
_ Ah menino, deixa de conversa e vai logo que preciso terminar essa peça antes que a cliente chegue. _ Disse a mãe entregando uma cédula ao filho _ E não gaste o troco com besteira, o dinheiro está curto essa semana.
Jorginho resmungou um pouco e saiu para cumprir a tarefa. Pegou uma pedra no chão e atirou no cachorro que passava do outro lado da rua… chutou uma lata de refrigerante abandonada junto ao poste de luz… aproveitou e arrancou um cartaz de “vende-se gelo”, já desbotado pelo sol, que o Seu Joaquim havia pendurado na frente de casa… olhou para o gato da dona Teodora e riu, lembrando-se do dia que o havia empurrado na boca do bueiro… seguiu tagarelando sozinho.
Ao chegar a lojinha da Dona Marta, esticou as perninhas para poder ver a jovem senhora sentada por detrás do balcão de madeira.
_ O que você tá procurando, Jorginho? _ Perguntou ajustando os óculos que escorregaram pelo nariz.
_ Eu quero um tubo de linha branca. _ Disse seguro.
_ Qual a marca?
_ Da branca, ora… protestou.
_ Sim, eu sei a cor, mas é que tem vários tipos de linha branca.
“ai, ai, ai…” Isso ele não sabia dizer. Por que a mãe lhe dera uma tarefa tão
difícil? Ele só tinha cinco anos… não sabia nem fazer uma pipa sozinho, quanto mais comprar um tubo de linha… “e agora?”… olhou aflito para Dona Marta, que lhe respondeu com um sorriso compreensivo, mostrando-lhe duas opções.
_ Essa daqui! _ Disse aliviado apontando para o tubo que estava na mão direita.
Pagou, pegou o troco e saiu radiante da loja, segurando o pequeno embrulho. Na rua, cruzou com Amadeu, seu colega de escola.
_ Jorginho, você está com cara de bocó!
Nem deu atenção à provocação do amigo… sentia-se vitorioso, era vitorioso, acabara de comprar sozinho um tubo de linha, e das brancas! E nem havia completado seis anos ainda…. “Amadeu não sabe de nada”. Chegou em casa e entregou a encomenda para a mãe como quem entrega um tesouro depois de uma longa batalha.
Ela pegou o embrulho, conferiu o troco e passou a mão na cabeça do menino. Nenhuma palavra de agradecimento, nenhum reconhecimento… “puxa, só isso?”… o sorriso apagou-se lentamente em seu rosto e o menino voltou para a brincadeira embaixo da mesa… finalmente o cowboy poderia matar o indiozinho!


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