Cleiton Fiuza

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O jovem rico, uma história tão atual que nos constrange

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Passei algum tempo, recentemente, pensando nessa história descrita em Mateus 19.16-30. Sabendo que milhares de pessoas, de todas as classes sociais, encontraram-se com Jesus e que, muitas delas, ouviram ensinamentos que transformaram suas vidas, tentei entender o porquê de Marcos e Mateus terem escolhido esse rápido diálogo entre Jesus e um “jovem rico” para ser citado nos Evangelhos que escreviam.

Já Li tantas vezes esse texto que, às vezes, penso tratar-se de mais uma das parábolas narradas por Jesus. No entanto, sei que esse rapaz era uma pessoa real e que era dono de muitas propriedades, ou seja, um rico dentro do contexto rural de Israel (vs.22). Podendo-se deduzir ainda que, pela posição social que sua família deveria ocupar naquela região, era uma pessoa conhecida por Jesus e pelos discípulos.

Ao abordar Jesus, sua pergunta foi tão simples e direta quanto a que muitas pessoas, ao redor do mundo, continuam a fazer até hoje: “Que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?”. Esse tipo de interpelação revela a sua crença sobre a importância das obras para a salvação de nossas almas. Talvez o rapaz esperasse ouvir algumas direções claras como: ajude mais aos necessitados, aumente suas ofertas para o templo, construa um altar em uma de suas propriedades etc. Entretanto, nada de novo lhe é anunciado por Jesus, que apenas enfatiza o básico, dizendo “guarde os mandamentos”.

Parafraseando e contextualizando a replica do jovem ao ouvir isso, seria como um “Bom, isso eu já faço. Mas, creio que ainda não é o suficiente… preciso receber uma direção mais específica, que me falta ainda fazer para ganhar a vida eterna?”(vs.20). Assim, entramos no ponto, que considero o mais alto dessa conversa, quando Jesus inicia a frase dizendo “se queres ser perfeito”. A resposta a primeira pergunta já havia sido dada por Ele. Estava claro que a salvação não era pelas obras, mas, sim, pela graça de Deus. Nós nada podemos fazer para alcançá-la além de nos rendermos completamente a Ele e estarmos dispostos a serví-lO.

“Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”. Pela reação do jovem rico, vemos que essa não era a resposta que ele pretendia ouvir. Note que Jesus não fala se queres ser “salvo”, Ele usa o termo “ser perfeito”. Sendo quem é, Jesus conhecia as intenções no coração daquele rapaz e quis que ele soubesse o quanto suas motivações ainda estavam fora de Deus. A tarefa de renunciar a tudo o que possuía serviu para mostrar-lhe, claramente, que o amor que dedicava aos seus bens ultrapassava o que pretendia dedicar a Deus.

Ouvindo as palavras do Mestre, reconheceu sua incapacidade de rendição e perdeu todos os argumentos, retirando-se triste, provavelmente, por compreender a dura lição que Jesus acabara de lhe ensinar. Vender os bens e repartir o dinheiro com os pobres não era a questão principal, a sua disposição em abrir mão dos seus objetivos temporais para abraçar os eternos é que estava em jogo. Aquele jovem, como muitos cristãos modernos, estava tão preso ao seu sistema de valores, que afastou-se de Jesus mesmo ouvindo a promessa de que poderia obter um verdadeiro “tesouro no céu” . Abrir mão dos seus sonhos, posição social, segurança financeira, conforto e respeito na comunidade eram tópicos que não estavam abertos a negociação, tratava-se de um preço muito alto que ele não estava disposto a pagar.

Creio que uma das primeiras atitudes que temos ao ler esse texto é a de criticar esse rapaz pelo seu aparente apego aos bens materiais. Depois, com o passar do tempo e amadurecimento da nossa fé, passamos a sentir compaixão pela sua incapacidade de renunciar algo que considerava precioso para obedecer uma direção do próprio Jesus… Até que chega o momento em que entendemos que nós temos muito em comum com esse jovem! Agindo da mesma forma que ele, começamos a dizer não a todos os convites de Jesus que envolvam o sacrifício de algo que amamos.

Como aquele jovem, muitos cristãos modernos têm procurado um conjunto de regras ou rituais que possam conduzí-los a vida eterna. Tentando, inutilmente, alcançar a salvação por seus próprios méritos, esforços e até por seu sistema de crenças, incluindo as “evangélicas”, esforçam-se em demonstrar para o mundo o quanto amam a Deus, à medida que afastam o próprio Cristo do centro de suas vidas.

Voltando ao texto, ao terminar a conversa sobre o jovem rico, Pedro perguntou a Jesus: “E quanto a nós, que tudo deixamos para te seguir, o que acontecerá?”… em outras palavras, “e quanto a nós, que nos rendemos totalmente, abrimos mão de tudo e fizemos o que esse rapaz não estava preparado para fazer. O que acontecerá conosco?” A reposta de Jesus a essa pergunta foi algo tão profundo e direto que não tenho mais nada para acrescentar: “… Todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna” (Mt 19.29)

É triste a realidade de que muitos cristãos têm dito não ao chamado de Jesus para abandonarem seus objetivos temporários e investirem suas vidas, dons e talentos em propósitos eternos ao Seu lado. Entretanto, louvo a Deus pelas centenas de vidas que aceitaram esse convite e deixaram uma marca profunda e eterna por onde passaram, permitindo que as boas novas da salvação em Cristo atravessassem dois mil anos de história e chegassem até nós.

Homens e mulheres, que caminharam na contra-mão do jovem rico por entenderam o que realmente significa renunciar para render-se totalmente a Deus. Esses cristãos subiram ao patamar dos conhecidos “homens do qual o mundo não era digno” (Hb 11.38)… a promessa feita aos discípulos de que “todo aquele que tiver deixado…receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna” continua viva e cumprindo-se fielmente em nossos dias.

Por isso, penso que não existe nenhuma forma melhor de concluir esse texto do que afirmando que nada nessa vida se compara ao estado espiritual de completa rendição a Deus. Nenhuma alegria gerada por uma realização pessoal, fortuna, viagem, descoberta ou feito histórico pode ser comparada a satisfação espiritual que é gerada quando nos encontramos completamente rendidos a Vontade de Deus, experimentando a Sua soberana atuação em e através de nossas vidas.

Escrito por Cleiton Fiuza


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