Cleiton Fiuza

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O cristianismo moderno e a carta aos Gálatas.

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Atualmente, escritores cristãos têm dedicado uma parte do seu tempo na composição de livros que abordam as doutrinas presentes em nosso meio evangélico, tateando entre diferentes grupos denominacionais, eles tentam encontrar um limite seguro e verdadeiro entre os diversos princípios religiosos, que vagão desde o extremo legalismo à libertinagem mais avançada. 

Asseguro-lhes que não é uma tarefa fácil penetrar no mundo doutrinário das Igrejas, mas é algo que necessita ser feito para que possamos ter um referencial bíblico a respeito de como devemos viver.

O Legalismo, ou melhor, a doutrina baseada nas leis e ordenanças bíblicas é a forma mais presente em nossas Igrejas tradicionais. Os ensinos praticados por este grupo cristão são, em parte, vindos de uma herança católica medieval, sendo remodelados pelos heróis da fé que estabeleceram a Igreja Protestante.

Com o desejo de parecer-se com a imagem formada dos primeiros cristãos, os legalistas desenvolveram, ao longo dos anos, uma série de conceitos doutrinários para que os membros de sua igreja possam viver um exemplo fiel de um discípulo de Jesus. Mas, ao contrário do que possamos imaginar, este não é um problema moderno, ele vem sendo enfrentado desde o início do cristianismo.

Um estudo mais dedicado à carta que o Apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas revela uma crise existente nesta Igreja devido ao extremo legalismo adotado pelos seus líderes.  Crendo que a obediência à Lei misturada com a fé é necessária a salvação e que o crente é aperfeiçoado guardando a Lei, eles foram chamados de insensatos pelo próprio Paulo.

“O gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante de seus olhos que Jesus cristo foi exposto como crucificado? Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, começando pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio?” (Gl 3:1-3 NVI)

Não entendam com isto que é errado guardar a lei e que fomos liberados para pecar. O que eu estou querendo dizer é que a nossa salvação não depende de cumprirmos estas ordenanças, esta doutrina é falha. É impossível a qualquer pessoa viver sem transgredir ao menos um dos mandamentos bíblicos. Paulo deixa isto claro nos versículo 9 e 10 deste mesmo capítulo:

“Assim, os que são da fé são abençoados juntamente com Abraão, homem de fé. Já os que são pela prática da lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: ‘Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei’” (Gl 3:9-10)

Infelizmente, o que a nossa realidade mostra são milhares de cristãos tentando viver o legalismo tal como os gálatas tentaram. O perigo desta prática é que qualquer pessoa que tentar segui-la frustrar-se-á algum dia, os mais fortes conseguirão renovar as suas forças e continuar, mas os mais fracos, provavelmente, cairão.

Práticas estas que medem a santidade de uma pessoa pelo cumprimento do seu cabelo, pelo tamanho da sua roupa, pelos dons que ela possui, pela forma com que ela ora ou pelo jeito com ela fala, fazendo com que alguns grupos cristãos transformem-se em construtoras de sepulcros caiados.

Aqui, quero ressaltar que não estou me referindo a nenhuma denominação, mas a algumas doutrinas específicas. Amados, nunca esqueçam que Deus está olhando para o nosso interior, para a nossa alma, o que vestimos ou falamos será apenas um reflexo da vida íntima que tivermos com o nosso Senhor.

“Foi para liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão… Vocês, que procuram ser justificados pela lei, separaram-se de Cristo; caíram da graça… Tal persuasão não provém daquele que os chama.” (Gl 5:1,4,8 NVI)

Neste ponto, eu os desafio a iniciarem uma leitura detalhada do livro de Gálatas. Orando para que o Espírito Santo possa direcioná-lo neste estudo e falar com você.

Atravessando o vasto caminho que separa estes duas doutrinas, chegamos ao liberalismo, ou seja, a graça de Deus me salvou e me concede liberdade para fazer tudo aquilo o que eu desejar, não deve prestar contas a nenhuma outra pessoa além do meu Senhor.

Talvez você não se julgue um cristão liberal, porque esta prática está tão incutida em nosso meio que o liberalismo, muitas vezes, transforma-se em sinônimo de normal. Por isto, eu me preocupo em dobro ao debater este assunto.

Continuando no livro de Gálatas, o mesmo que nos libera do regime da lei, nós encontramos algo que eu chamo de “muralhas protetoras” para a vida cristã:

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião a vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (Gl 5:13 NVI) E ainda complementa para aqueles que estiverem em dúvida sobre quais são as obras da carne: “Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e lascívia; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, que os que praticam estas coisas não herdarão o Reino de Deus.” (Gl 5:19-21 NVI)

Agora você deve ter dado um nó na cabeça, se Paulo acabou de afirmar que a nossa salvação não depende das obras, porque ele mesmo afirma que os que praticam as obras da carne não herdarão o Reino de Deus? Bom, é possível imaginarmos um cristão vivendo na prática destas coisas? Sinceramente, não. Paulo está referindo-se a não-crentes, pessoas que conviviam com os gálatas diariamente e que poderiam influenciá-los nestas práticas a partir do momento em que eles parecem de depender da lei.

Isto é o que vem acontecendo em muitas de nossas Igrejas, uma vez livres da lei estamos abrindo as portas para uma enxurrada de novas práticas libertinas inspiradas em costumes daqueles que nos cercam. Muitas vezes, trazemos conosco uma séria de conceitos mundanos, que foram incutidos em nossa mente ao longo da nossa vida secular.

Sendo mais específico, podemos citar uma vasta lista destas práticas e onde elas se encaixariam na descrição de Gálatas 5:19- Porque ouvirmos a música dita “secular”, quando temos tantas opções no nosso meio cristão? Será que elas nos edificam mais ou nos fazem relaxar? Por que imitarmos a moda do mundo e nos tornarmos iguais, se nós paramos de avaliar até que ponto isto influencia a nossa vida? Será que isto não passa de uma auto massagem em nosso ego? Por que freqüentarmos lugares onde os vícios (como a bebida, o cigarro e as drogas) e a imoralidade sexual estão presentes, usando o fato de Jesus ter freqüentado lugares assim como desculpa, se o nosso verdadeiro propósito está muito longe do que Ele tinha? Será que realmente podemos “imitar as coisas do mundo” usando a desculpa de que o fim desta atitude é o resgate de almas?

A resposta de todas estas perguntas é NÃO! Quando analisamos um texto presente na carta que Paulo escreveu aos Coríntios:

“Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade. Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” (1 Coríntios 5:9-11), 

Vemos Paulo advertindo a Igreja de Corinto sobre isto. Alguém na Igreja, que estava sendo tido como irmão, havia caído em pecado e toda a Igreja estava tratando isto normalmente, ou seja, aceitando o pecado no meio do corpo de Cristo, como algo corriqueiro.  A atitude de Paulo nos mostra claramente que ele próprio condenava o que a Igreja estava fazendo.

Que pena que nós temos aceitado tantos “erros” no meio da nossa igreja, e temos considerado todas estas coisas “normais”, exatamente como fez a Igreja em Corinto. O nosso erro, foi deixar que pequenas porções de fermento tenham se tornado constantes entre nós, levedando a massa da igreja moderna.

Conceitos, como “temos que nos adaptar a culturas e aceitá-las como normais”, de que “uma vez que todas as coisas foram criadas por Deus poderemos usar o que quisermos”,  “a maldade está na mente das pessoas e não nas atitudes”, ou ainda, “Se o meu irmão se escandaliza, ele está pecando e não eu”, têm penetrado no meio das Igrejas cristãs e cauterizado a mente dos nossos líderes. Como conseqüência disto, a disseminação destes ensinos vem acontecendo através das gerações de novos cristãos, fazendo com que o verdadeiro cristianismo vem sendo deixado de lado.

Creio, no entanto, que chegou a hora de mudarmos, reavaliar nossos conceitos e padrões e colocá-los a luz da Bíblia, não a luz da nossa ou de qualquer outra cultura. Não temos que aceitar nada que nos for repassado apenas porque todo mundo está aceitando sem antes termos consciência do que a bíblia fala sobre estes assuntos.

Em uma abordagem resumida, vemos o liberalismo destruindo o verdadeiro caráter da nossa vida cristã, o principio de sermos sal e luz, o desafio de termos sido chamados para vivermos em diferença e fazendo diferença.

Vamos lembrar que a palavra cristão significa “pequeno Cristo” e vamos pedir que o Espírito Santo de Deus nos conduza de volta ao verdadeiro cristianismo, sem farisaísmo ou libertinagem, para honra e glória do Seu nome. Vamos reavaliar nossas vidas, o que temos feito, em quem temos acreditado, o que temos repassado para os outros e buscarmos o direcionamento bíblico para cada um de nós.

Juntos, nós podemos mudar.

Escrito por Cleiton Fiuza


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