Cleiton Fiuza

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Um pouco mais sobre minha experiência missionária em Porto Alegre

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Quando Léo e eu nos estabelecemos em nosso apartamento, no início de 2001, percebemos que o desafio que tínhamos pela frente era maior do que imaginávamos. Nós éramos dois missionários recém treinados e com muitas expectativas para aquela cidade que parecia imensa aos nossos olhos.

Descobrimos que existiam dois Campi diferentes próximos a nossa casa e um outro cerca de uma hora de onde morávamos. Depois de visitarmos cada um deles e orarmos por uma semana, decidimos iniciar o ministério no Campus do Valle. Era o maior de todos eles e concentrava a maioria dos calouros da UFRGS, mas, também era o mais distante.

Desde que havíamos chegado, tudo o que tínhamos ouvido era que o povo gaúcho era muito fechado para estabelecer novos contatos, especialmente quando diziam respeito ao Evangelho. Em resumo, o que a grande maioria dos cristãos locais nos disse foi: “Os gaúchos são diferentes, e o trabalho evangelístico de vocês aqui não será nada fácil”. Isto era suficiente para que todo o meu entusiasmo começa-se a dar lugar a um certo desânimo, o que teria acontecido se eu não tivesse a certeza de que Deus estava no controle da minha vida e da nossa ida para aquela cidade.

Poucas semanas antes de nossa chegada a capital gaúcha, eu havia lido uma história que aconteceu com o Dr. Bill Bright em uma de suas campanhas evangelísticas no Japão, quando ele também estava sendo desanimado pelos próprios japoneses cristãos. Lembrei da oração que ele havia feito naquela ocasião. Então, orei de uma forma muito parecida, dizendo: “Senhor, realmente Tu me queres aqui? Eu quero dizer que tenho muitas coisas para fazer em Fortaleza, e, se as pessoas aqui não estão interessadas, talvez eu não seja necessário nesta cidade…”

Nós sabemos que o nosso Deus é bem maior do que qualquer barreira cultural, Ele próprio já nos provou isto. Também sabemos que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos (Ef 3:30), por isto, eu pude sentir uma enorme paz em meu coração enquanto orava.

Bom, naquela semana, em um dos dias em que o Léo e eu estivemos na UFRGS, nós notamos que havia um rapaz sentado em um banco logo atrás de nós. A minha primeira vontade foi ir lá e compartilhar o Evangelho com ele, mas o medo de não saber como seria recebido e o frio que eu estava sentindo (eu estava me acostumando ao clima e vesti bermuda e camiseta à 12ºC) me desanimaram um pouco. Comecei então a orar e pedir que o Senhor me direciona-se sobre o que deveria fazer, então, como você deve estar pensando, eu me levantei e fui até lá falar com o rapaz.

Para a minha surpresa, ele se mostrou uma das pessoas mais receptivas com quem eu já havia compartilhado o Evangelho até então. O nome dele era Mozart e ele estudava física, por isto achou muito lógica a comparação que o folheto das Quatro Leis Espirituais faz entre leis físicas e leis espirituais. Ele me falou que estava preocupado em relação a sua vida espiritual, e, enquanto eu ainda compartilhava as quatro leis espirituais, me perguntou se ele poderia ficar com o folheto no final.

Mozart ficou bem empolgado quando descobriu como era fácil convidar a Cristo para entrar em sua vida e começar um relacionamento pessoal com Deus, sua expressão facial mudou e, em meio a um sorriso de contentamento, disse: “Ninguém nunca me falou sobre isto antes, eu, realmente, preciso e quero que Deus faça parte da minha vida”.

Depois de ter marcado um novo encontro para a semana seguinte, eu me despedi dele e fui para um local próximo para agradecer a Deus. Foi quando o Léo me mostrou que o Mozart estava falando sobre o folheto com um outro rapaz que havia chegado perto dele. Isto me mostrou o quanto o povo gaúcho, assim como todo o restante das pessoas ao redor do mundo, está, verdadeiramente, sedento do Evangelho. Eles só estão esperando que alguém se torne disponível.

“Vocês acham que o trabalho da colheita só começará quando terminar o verão, daqui a quatro meses? Olhem em volta de vocês! Vastos campos de almas humanas estão amadurecendo por toda parte ao nosso redor, e, já estão prontos para a colheita” (João 4:35 NTV).

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado” (Jó 42:2 NVI)

“Sendo assim, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, e em todo o tempo abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é em vão no Senhor” 1 Coríntios 15:58

Depois de conseguirmos alguns móveis emprestados e termos uma noção de onde estávamos morando, nós recebemos a visita de dois missionários do Rio de janeiro (um deles também era obreiro da Cruzada Estudantil). E, durante as duas últimas semanas de maio daquele ano, nós estivemos dando passos de fé diariamente. Orando, compartilhando o Evangelho com os universitários e esperando os resultados do Senhor.

E que resultados! Naqueles 15 dias, 70 estudantes ouviram sobre o plano de salvação de Deus, individualmente, através das Quatro Leis Espirituais, e, destes, 23 oraram convidando a Jesus Cristo para ser o Salvador e Senhor de suas vidas.

Além disto, realizamos o nosso primeiro “Quebra-Gelo” (Uma reunião evangelística na Universidade) em terra gaúcha,em forma de palestra sobre o tema: “Como namorar ao máximo”.

Todos os estudantes envolvidos com o grupo, até então, estavam engajados neste evento. Mais de 80 estudantes estiveram presentes e, para a glória do Senhor, 27 destes oraram convidando a Cristo para fazer parte de suas vidas no final deste evento. 14 deles pediram mais informações sobre o grupo Alfa e Ômega e outros 7 nos disseram que desejavam fazer parte de um grupo de estudo bíblico na universidade.

Nós organizamos um treinamento em evangelismo para alguns estudantes cristãos da UFRGS e, junto com eles, planejamos os próximos passos que seriam dados até o final do primeiro semestre daquele ano. Deus estava respondendo as nossas orações e começando a levantar uma liderança em meio aos estudantes. Estes são alguns dos comentários que os estudantes que foram abordados fizeram durante estas semanas. Mostrando-nos, mais uma vez, que os estudantes do Sul, como na maioria das Universidades ao redor do mundo, estavam famintos do Evangelho:

“Eu sei que não foi coincidência vocês terem falado comigo hoje, eu estava precisando ouvir isto” (estudante de filosofia).

“A religiosidade dos meus pais me afastou de Deus, mas eu sempre senti a necessidade de conhecê-lO pessoalmente” (estudante de engenharia mecânica).

“Você não imagina o quanto eu estou precisando de Deus neste momento” (estudante de física).

“Você está falando sobre um relacionamento pessoal com Deus? Eu quero ouvir sobre isto. Você tem tempo agora? Fala comigo.” (estudante de química).

“Eu quero conhecer a Deus, mas eu não sei como posso fazer isto” (estudante de letras).

“Eu não acredito em Deus… (30 min depois) … Fala-me mais sobre isto… eu quero tentar.” (estudante de computação).

“Obrigado por ter falado comigo” (muitos estudantes)

Quando nos tornamos disponíveis, Deus realmente nos usa! É o que nós estávamos vendo acontecer. Como eu falei anteriormente, nós fizemos um impacto evangelístico no maior Campus da UFRGS. E, em um destes dias, uma estudante do primeiro semestre de Química, recebeu a Cristo como Salvador.

Nós a conhecemos na biblioteca, quando o Léo deu-lhe um folheto das 4 Leis Espirituais. Ela estava conversando com uma amiga e por isto não tivemos tempo de compartilhar o Evangelho naquele momento.

No entanto, algumas horas mais tarde, eu a encontrei novamente na Universidade. Foi quando ela me perguntou o que dois cearenses estavam fazendo na UFRGS. Bom, não existia melhor oportunidade para falar sobre o nosso propósito. Então eu expliquei que nós estávamos ali para falar aos estudantes sobre como eles podem ter um relacionamento pessoal com Deus. Então, com muito entusiasmo, ela olhou para mim sorrindo e perguntou: “Você está falando sobre um relacionamento PESSOAL com Deus? Eu quero ouvir sobre isto.”  E, apontando para um lugar onde pudéssemos nos sentar, completou: “Você tem tempo agora? Fala comigo”.

Conversamos por algum tempo e ela compartilhou o quanto este assunto era confuso para ela. Sua avó era cristã, mas não agia como tal, por isto ela não acreditava que um relacionamento com Deus pudesse mudar a vida de alguém. Então, expliquei a diferença de religiosidade e cristianismo verdadeiro e, duas horas depois, ela estava pedindo para que Jesus Cristo fizesse parte da sua vida.

Sempre estivemos certos de que Deus tinha grandes planos para Porto Alegre! Desde que chegamos lá, nós tínhamos visto que Deus estava no controle de tudo. Vimos alguns estudantes entregando as suas vidas a Cristo e O recebendo como Salvador e Senhor, vimos alguns estudantes cristãos sendo treinados em evangelismo e compartilhando o Evangelho pela primeira vez, vimos o Senhor levantando estudantes comprometidos com a Sua seara, líderes cristãos com a visão de alcançar os estudantes dentro do seu próprio Campus.

As aulas na UFRGS acabaram no dia 17 de julho, chegamos ao final do semestre com muitas bençãos para contar: mais de 200 universitários foram evangelizados, nossas reuniões semanais continuaram com uma boa freqüência para um início de ministério (entre 10 e 12 pessoas), alguns assumindo posições de liderança (como a Rosilene, que mencionei anteriormente e que escreve um testemunho neste livro), outros estudantes sendo treinados em evangelismo e, mais importante, evangelizando, etc.

Infelizmente (mas não crendo que fora dos planos de Deus) a UFRGS entrou em greve por tempo indeterminado e os estudantes nem a matrícula conseguiram fazer. Sendo assim, estivemos orando para saber se era o tempo de começamos um ministério na PUCRS (a maior Universidade particular de Porto Alegre).

Nosso medo era que o fato de sermos apenas dois obreiros nos impedisse de continuar ajudando o ministério nas duas Universidades quando a UFGRS retornasse as aulas, e acabássemos abandonando o trabalho iniciado na PUCRS. No decorrer deste primeiro semestre, nós formamos alguns amigos em POA, e um deles era a Cássia, uma das pessoas que mencionei no início. Ela estava formada em Relações Públicas, e tinha sido desfiada por Deus para trabalhar com o evangelismo de universitários em tempo integral. Ela participou de um ministério evangelístico por 4 anos, enquanto fazia o seu curso, e que estava orando sobre juntar-se ao corpo de missionários do Ministério Alfa e Ômega.

Certa vez pedi que ela me falasse um pouco sobre seu crescimento espiritual neste primeiro meses e ela me enviou este pequeno testemunho:

“Bom, tenho provado nesses últimos três meses muito da graça e da misericórdia de Deus. Há algum tempo vinha buscando em oração o propósito de Deus para minha vida. Fazia parte de um trabalho de evangelização nas universidades desde minha época de estudante e isso sempre me deu muito prazer, só que, com o tempo, o trabalho perdeu o propósito e ficou muito difícil continuar. Sempre na dependência de Deus estava descansando e crendo que Ele, quando nos direciona para um trabalho, não desiste de nós.

Crendo nisso, tive a oportunidade de reconhecer o chamado de Deus através desse novo trabalho junto ao ministério Alfa e Ômega da Cruzada Estudantil, não importa para onde Ele nos chama temos que estar dispostos e sermos obedientes ao Seu chamado. Esse período tem sido de muita comunhão e intercessão tendo a certeza que obra será completa, Deus é fiel e justo para completar a obra.”

Nesta mesma época, pedi a mesma coisa a Rosi, uma estudante de letras que estava em seu primeiro semestre na UFRGS: “Comecei meu curso neste ano, sou cristã há seis anos e há um ano atrás recebi meu chamado missionário, perguntei a Deus onde seria o Campo para eu trabalhar e o Senhor mostrou-me a Faculdade. Iniciei o semestre cheia de expectativas para o evangelismo , mas sem nenhuma idéia de como fazê-lo. No mês de abril conheci o Alfa e Ômega e vi neste movimento a resposta de Deus às orações que vinha fazendo ( como evangelizar ?).

Ao terminar o semestre me alegrei muito de participar do Alfa e Ômega, por que pude ver o mover de Deus na vida de pessoas que conheceram Jesus e daqueles que o Senhor tem preparado para conhecê-lo. Louvo a Deus em minhas orações pela vida do Cleiton e do Leonardo que têm se disposto a trabalhar pelo Senhor e pela vida de muitos jovens cristãos que descobriram que é chegada a hora de cumprir o ” Ide”. Cleiton, se pudesse faria um conto para expressar a alegria que sinto em participar do movimento e principalmente de ter conhecido vocês.”


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